A Tradição da Feria de Abril em Sevilha

Este ano se comemora a 172ª edição da Feria de Sevilla ou Feria de Abril, uma festa de primavera que é celebrada anualmente na cidade de Sevilla, no sul da Espanha, uma ou duas semanas após a Semana Santa e que coincide também com o início do calendário das corridas de touros da Plaza de Toros de la Real Maestranza.

Neste período, que este ano será de 15 a 21 de abril, a capital da Andalucía recebe em torno de 500.000 visitantes por dia, que circulam no Real de la Feria, um enorme espaço cujas ruas com nomes de grandes toureiros são enfeitadas com os farolillos e ficam repletas de casetas por seis dias. Carro de caballos en la Feria de Sevilla.jpg

Cavaleiros e amazonas em seus lindos cavalos e carruagens também circulam pela feria, sendo estes os únicos veículos autorizados no evento (com exceção, é claro, dos veículos oficiais e de emergência). Por dia são 700 carruagens que tem permissão de circular.

A HISTÓRIA DA FERIA

As origens da Feria datam de 1846, quando os empresários Narciso Bonaplata (basco) e José María de Ybarra (catalão), apresentaram uma proposta ao Cabildo Municipal, para a realização de uma feira anual agropecuária no mês de abril. No ano seguinte, 1847, foi celebrada a primeira edição da Feria de Abril no Prado de San Sebastián, con 19 casetas e a participação dos criadores de gado e agricultores da região.

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Os primeiros anos da Feria com foco no mercado agropecuário

Desde o início, a Feria teve um caráter mercantil agrícola e pecuário muito evidente. Os comerciantes chegavam no evento com seu gado e o deixava em zonas que mudavam conforme o ano. O mercado da Feria era celebrado no Prado de San Sebastián.

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A tradição de levar a família toda ao evento

Em 1849, foram colocados caminhos dentro do mercado. Em princípio, a Feria mostrava um ambiente campestre, mas com o crescimento da cidade, foi adquirindo um aspecto mais urbano por parte dos seus visitantes. Em 1850 participaram mais de 60 mil cabeças de gado e foram expedidas licenças para 15 postos de buñuelos (donuts), 34 de torrones e castanhas e 93 para tabernas e para água. Em 1859, já era destinado mais espaço para a festa do que para o mercado de gado. A partir do começo do século XX, a feira se concentrou mais nas festividades e atualmente não há mais a comercialização de gado no evento.

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Um ano muito importante para o futuro da Feria foi 1973, quando o evento sai do Prado de San Sebastián e se muda para o local em que está até hoje, no Barrio de Los Remedios. Com o passar do tempo, a realidade superou as expectativas e o recinto atual já está pequeno. São mais de 40 mil metros quadrados ocupados e mais de mil casetas existentes, além dos pedidos junto à prefeitura para a instalação de novas casetas.

LAS CASETAS

As casetas são os estandes montados em forma de tendas de campanha. Eles podem ser públicos ou privados e muitas costumam ter tablados para os que bailam sevilhanas. As casetas particulares ou de entidades privadas normalmente não permitem o acesso, a não ser com convite ou acompanhado de algum sócio. No entanto, as casetas de entidades públicas (como a da prefeitura de Sevilha) ou as de entidades privadas com fins sociais e políticos (como as de partidos, sindicatos, etc) costumam ter entrada livre.

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Baile por sevilhanas nas casetas

As primeiras casetas surgiram para que os cuidadores do gado pudessem pernoitar junto ao rebanho. Então, nestes primeiros tempos da feria, que tinha o foco maior no mercado pecuarista, elas eram muito simples, semelhantes aos estábulos. Em 1849, a prefeitura montou a primeira caseta tal como se conhece hoje, como uma tenda de campanha, com a intenção de vigiar e manter a ordem pública. No ano seguinte, surgiram outras casetas com alimentos e bebidas.

Com o passar dos anos, as famílias e algumas instituições quiseram aproveitar por mais tempo esse espaço de lazer e começaram a montar também suas casetas , adornando-as a seu gosto.  Em 1893, são montadas as primeiras casetas dos grandes cassinos e círculos sevilhanos.

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Somente em 1919, a decoração das casetas conseguiu uma certa uniformidade de estilo, baseando-se no desenho do pintor Gustavo Bacarisas. A uniformidade total foi somente em 1983, quando foram estabelecidas as normas para montagem e decoração. A regulamentação delimita as medidas de 4 metros de largura x  6 a 8 metros de profundidade e define, por exemplo, que as lonas da caseta devem ser listadas de vermelho e branco ou verde e branco.

LA PORTADA

A Feria sempre teve uma portada (pórtico de entrada). Desde sua fundação e até 1868, ano de sua derrubada, foi a porta da extinta muralha sevilhana, a Puerta de San Fernando. Em 1896, se colocou ali a famosa Pasarela, uma estrutura de ferro que servia de passarela elevada sobre o Prado e também de pórtico. No início, foi iluminada por 798 luzes de gás e um arco voltaico com bateria. Em 1906, foram instalados focos elétricos nela.

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Pasarela: pórtico de entrada em ferro de 1896 a 1921

A Pasarela foi desmontada em 1920, por conta do alargamento da rua San Fernando. Depois disso, surgiu a tradição de instalar todos os anos um pórtico diferente. Em 1949, foi instalado o primeiro pórtico de grande envergadura. E desde então, tem sido costume do evento realizar um grande monumento de entrada com diversos temas e com iluminação à noite.

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Por conta desta iluminação, o pórtico também é conhecido como el ‘Alumbrao’ no particular dicionário sevilhano (el alumbrado, do verbo alumbrar, que siginifca iluminar). O acender das luzes representa o começo da Feria de Abril, quando o prefeito da cidade aperta um botão e pouco a pouco vão se acendendo as mais de 24.000 lâmpadas do pórtico. Em seguida, todo o Real de la Feria se acende também iluminando completamente os mais de 60 mil metros quadrados.

O desenho escolhido para a Portada de 2018 foi apresentado por César Ramírez, com o título de ‘Embajadores’. O projeto foi inspirado nas antigas casetas que o Círculo Mercantil instalou na feira no ano de 1905, com inspiração arabesca e mudéjar. E é uma homenagem ao 150º aniversário da instituição.

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Projeto do pórtico da Feria de Sevilla 2018
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Pórtico 2018 em montagem. Foto: divulgação

EL CARTEL DE LA FERIA

Somente a partir de 1890, a Feria passou a ter um cartaz de divulgação. Foi o pintor García Ramos que o desenhou e o doou à prefeitura de Sevilla para o evento.

 Em 1894 foi realizado o primeiro concurso para a escolha do cartaz e o primeiro ganhador foi Francisco Candela, com um prêmio de 500 pesetas. Desde então, todos os anos, os cartazes anunciam as festas da primavera (Semana Santa e Feria de Abril).

COMER EN LA FERIA

A noite do pescaito é celebrada na madrugada de sábado para domingo, quando são servidos vários tipos de peixes fritos. Nos outros dias, as casetas servem as tradicionais tapas de Sevilha, como jamón ibérico, queijos e embutidos, mariscos, tortilha de batatas, etc. Os buñuelos (donuts) e os churros, chamados em Sevilha de “calentitos”, acompanhados de chocolate quente também são típicos da feria.
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Os pescaitos da feria

 

 

 

 

Fontes: www.mercantilsevilla.com, Wikipedia, Ayuntamiento de Sevilla, Junta de Andalucía.

NO BRASIL:

Feria de Abril – Campinas – 07 e 08/04
Feria do Café Tablao – Campinas – 14/04
Feria do Studio Alhambra – São Paulo – 15/04
Feria da Casa Aura Flamenca – Ribeirão Preto – 15/04
Feria de Abril Sala Tablado – Sorocaba – 05/05