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As dicas do maestro Juan Vela para tocar castanholas

Você tem muita vontade de tocar castanholas, acha o som delas maravilhoso, mas não consegue começar? Pois aqui eu trago as dicas do maestro Juan Vela para você começar hoje a praticar as castanholas.

Juan Vela Hernández é o maestro artesão da Del Sur, segunda geração da família neste negócio, tendo aprendido com seu pai Manuel Vela e depois compartilhado com seus filhos a arte de construir castanholas 100% artesanais.

Castañuelas Del Sur é a empresa que começou a fabricar castanholas em fibra e Juan Vela foi o inventor da caixa dupla de ressonância nas castanholas.

Em fevereiro de 2019, o Flamenco Por Aí esteve visitando o ateliê de Castañuelas Del Sur em Sevilha (Espanha) para saber direto da fonte, de quem constrói e toca castanholas todos os dias, as melhores dicas para praticar. A visita fez parte da programação das Viagens Culturais Espanha 2019 (grupo organizado por Silvia Canarim Flamenco e Contemporaneidade, Flamenco Por Aí e Monet Viagens e Turismo).

Confira as dicas:

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1. COLOCAÇÃO DA CASTANHOLA
A primeira dica é sobre colocar a castanhola na mão. Antes de qualquer coisa, verificar se uma das castanholas tem a marcação da castanhola fêmea (mais aguda) e que irá na mão direita. Para cololocar a castanhola no dedo, abra o cordão conforme a foto abaixo e passe o polegar por dentro. Em seguida, aperte o cordão, puxando um dos lados para apertar. A castanhola deve ficar bem firme na mão, mas não precisa estrangular o dedo.

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Confira o cordão das suas castanholas. Se tiver que trocá-los, veja aqui um tutorial para a troca das cordinhas das castanholas.

 

 

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2. POSIÇÃO DAS MÃOS
A segunda dica é sobre a posição das mãos e dos dedos. As mãos em forma de garra, escondendo a castanhola. Mãos e punhos não mexem, apenas os dedos. Desta forma, com a prática, se ganha agilidade e velocidade na carretilha.

 

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3. PRATICAR A ESCALA
Assim como na aula de flamenco a gente aquece o corpo para começar a dançar, é preciso aquecer os dedos antes de começar a tocar as castanholas. Praticar a escala da carretilha todos os dias (do dedo mínimo ao indicador, um a um), ajuda a aquecer mas também ajuda a ‘limpar’ o movimento. Fazer a escala de forma lenta ajuda a ver e corrigir a colocação das mãos, dos punhos, dos dedos.

 

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4. DICA DE OURO
A quarta dica, assim como as outras, é bem simples. Mas tão eficaz, que você vai se surpreender. É a ‘pelotita de goma’, a bola de borracha que se usa para exercícios de fisioterapia.
A dica do maestro é exercitar os dedos todos os dias, fazendo algumas séries por dia:
– Fazer 3 repetições de 10x com cada mão (todos os dedos juntos)
– Fazer 3 repetições de 10x com cada dedo separado
– Fazer sempre com as mãos direita e esquerda, não importa a mão que você faz a carretilha, tem que exercitar as duas mãos da mesma maneira.

 

 

QUER APRENDER A TOCAR CASTANHOLAS?
Encontre no blog as escolas em todo o Brasil:
Aulas de castanholas on-line:
Lu Garcia | CENTRO DE ARTE FLAMENCA
Deborah Nefussi | TOTAL FLAMENCO

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CONTEÚDO SOBRE CASTANHOLAS?
Visite o blog para ler mais sobre castanholas

Mayte Martin lança um programa de música flamenca

Perlas a Millares é o nome de uma mítica letra de tantas que gravou Pastora Pavón, La Niña de los Peines, referência absoluta de praticamente todos os flamencos do século XX e que é homenageada neste programa, junto com outros artistas (pérolas) que deixaram suas marcas na criação, recriação e evolução do cante flamenco.

Com este título, a cantaora catalã Mayte Martín, apresentadora e comentarista do programa, rende homenagem a Pastora, uma de suas cantaoras preferidas e referência no seu aprendizado flamenco.

A primeira edição começa trazendo ‘El Flamenco que me Parió’, onde Mayte Martín fala um pouco dos cantaores que a influenciaram na sua infância e adolescência, e aí aparecem Manolo Caracol, Juan Valderrama, La Niña de los Peines, Camarón y Paco de Lucía, Porrina de Badajoz, Antonio Núñez El Chocolate, Lole y Manuel, entre outros.

Escute aqui o primeiro programa e acompanhe os próximos. Valem como uma aula sobre música flamenca!

Rádio Primavera Sound: www.primaverasound.com

Foto de capa: Pastora Pavón por Alan Lomax

Bailarina de Balneário Camboriú viaja à Espanha para estudar flamenco

A bailarina de Balneário Camboriú, Michele Chaves, embarcou para Espanha na sexta-feira (28) para cursar uma especialização em flamenco durante um mês. A artista foi contemplada pela Fundação Cultural do município, com patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre as origens e técnicas do flamenco na renomada Escola Amor de Díos (Centro de Danças Espanholas e Sistema Flamenco), em Madrid.

No retorno, em fevereiro de 2019, Michele vai oferecer cursos, palestras e mostras de dança gratuitas ao público de Balneário Camboriú. As oficinas abordarão uma introdução ao Flamenco e terão duração de duas semanas, começando no dia 4 de fevereiro e encerrando no dia 15. Os cursos são direcionados a mulheres e homens iniciantes na prática do flamenco. A idade mínima para participar é de 15 anos. Ao todo, serão disponibilizadas 10 vagas ao público.

Flamenco em Madrid
Foto: Gabriel Camillo

Os cursos serão ministrados no Espaço Soleares (Centro de Dança, Vivência e Pesquisa), que fica localizado na rua Síria, nº 544, entre Av. Martin Luter e a Av. Palestina, no bairro das Nações, em Balneário Camboriú. As inscrições devem ser feitas pelo e-mailflamencomadrid2019@gmail.com. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (47) 9.9626-0365 com Eliane, ou (47) 9.9613-2740 com Michele.

Roda de conversa e mostra de dança
Além dos cursos, a bailarina promove na sexta-feira, dia 15 de fevereiro de 2019, uma roda de conversa sobre o projeto Flamenco em Madrid. No encontro, aberto ao público, ela falará sobre a parte burocrática, a execução de ações do projeto e as vivências adquiridas no exterior. O evento inicia às 20h, no Teatro Municipal Bruno Nitz.

No sábado, dia 16 de fevereiro, as ações de contrapartida do projeto encerram com uma mostra de dança flamenca na Praça da Cultura, em Balneário Camboriú, a partir das 19h. A mostra apresentará um pouco da arte do flamenco e ainda contará com a participação especial da bailarina flamenca internacional Yara Castro.

Sobre o projeto Flamenco em Madrid
Aos 36 anos, Michele Chaves consolida sua trajetória na dança com a conquista de mais um desafio: aperfeiçoar sua arte na Espanha e trazer para Balneário Camboriú e região o melhor do flamenco. “Estou muito feliz em realizar esse intercâmbio em Madrid e ansiosa para iniciar as vivências na escola. O patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura possibilita que nós, profissionais da dança, possamos nos capacitar ainda mais e trazer para a cidade experiências que agregam valor à cultura local”, afirma Michele.

Michele crédito gabriel camillo
Flamenco em Madrid: Michele Chaves. Foto: Gabriel Camillo

A bailarina dedica-se à arte flamenca desde os sete anos de idade. Já estudou com a argentina Hebe Solis, em Passo de Los Libres (AR), durante dez anos e começou a dar aulas de dança aos 18. É formada em História e acadêmica de Licenciatura em Dança pela FURB, de Blumenau. Já participou de diversos festivais de dança no país e no exterior, além de estudar com grandes nomes da dança. Atualmente, mantém o Espaço Soleares (Centro de Dança, Vivência e Pesquisa), em Balneário Camboriú, ministrando aulas de flamenco para diferentes faixas etárias.

Michele também integra o Grupo de Dança de Salão Experimental Waldir Coral e o coletivo de dança contemporânea Núcleo Corpóreo. Além de historiadora, bailarina e professora, é produtora cultural e desenvolve projetos nas áreas da música e dança através de sua empresa, a Abril Produtora.

Confira a programação de cursos, roda de conversa e mostra de dança:

Curso de introdução ao flamenco com a bailarina Michele Chaves
Datas e horários:
04/02/2019 (segunda): 19h às 20h
05/02/2019 (terça): 16h às 17h
06/02/2019 (quarta): 19h s 20h
07/02/2019 (quinta): 16h às 17h
08/02/2019 (sexta): 16h às 17h
11/02/2019 (segunda): 19h às 20h
12/02/2019 (terça): 16h às 17h
13/02/2019 (quarta): 19h às 20h
14/02/2019 (quinta): 16h às 17h
15/02/2019 (sexta): 16h às 17h
Local: Espaço Soleares (Centro de Dança, Vivência e Pesquisa)
Público iniciante a partir de 15 anos. Vagas limitadas

Roda de conversa sobre o projeto Flamenco em Madrid com a bailarina Michele Chaves
Data: 15/02/2019 (sexta)
Local: Teatro Municipal Bruno Nitz de Balneário Camboriú
Horário: 20h
Público Livre

Mostra de dança Flamenca com a participação especial da bailarina flamenca internacional Yara Castro
Data: 16/02/2019 (sábado)
Local: Praça da Cultura de Balneário Camboriú
Horário: 19h
Público Livre

Foto de capa: Gabriel Camillo.

Festival Flamenco de Nîmes 2019

O festival francês volta a abrir o calendário de grandes festivais internacionais de flamenco, nos dias 11 a 20 de janeiro de 2019, com uma programação luxuosa, onde pisarão no palco do Théâtre de Nîmes artistas do porte de Rocío Márquez, Fahmi Alqhai, Dani de Morón, María Terremoto, Tomás de Perrate, Ana Morales, Chicuelo, José Luis Montón, Kiki Morente, Leonor Leal, Alfredo Lagos, el Ballet Flamenco de Andalucía, Niño de Elche, Eva Yerbabuena e Arcángel.

Mais uma vez, a equipe dirijida por Francoise Noël aposta tanto no flamenco mais ortodoxo e tradicional, quanto nas linhas mais vanguardistas, com uma programação para todos os gostos. Como já é habitual neste evento, que acontece anualmente na Região Occitanie, sudeste da França, além de uma vasta programação de espetáculos, o público terá possibilidade de assistir a interesantes conferências e também visitar diferentes exposições no Museo Taurino, e projeções de documentários na Sala Le Sémaphore.

Confira a programação completa abaixo ou no site oficial do Festival de Nîmes.

Viernes, 11 de enero
20:00 h. – Auditorio La Paloma – Niño de Elche – Antología de Cante Heterodoxo
21:30 h. – Auditorio La Paloma (After Club) – Los Volubles – Flamenco is not a crime

Sábado, 12 de enero
20:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Eva Yerbabuena – Cuentos de Azúcar

Domingo, 13 de enero
12:00 h. – Le Sémaphore – Proyección de “Gurumbé, lecciones de tú memoria negra” (Miguel Angel Rosales)
20:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Rocío Márquez y Fahmi Alqhai – Diálogos

Lunes, 14 de enero
16:30 h. – Le Sémaphore – Proyección de “Gurumbé, lecciones de tú memoria negra” (Miguel Angel Rosales)
20:00 h. – Museo Romano – Tomás de Perrate y Alfredo Lagos – Concierto Acústico

Martes, 15 de enero
20:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Ballet Flamenco de Andalucía – FlamencoLorquiano

Miércoles, 16 de enero
10:00 h. – Sala Odeón – Ballet Flamenco de Andalucía – FlamencoLorquiano (Representación para escolares)
12:30 h. – Teatro Bernardette Lafont (Bar) – Conferencia: “Rito y Geografía del Cante” de José María Velázquez-Gaztelu
20:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Leonor Leal – Nocturno

Jueves, 17 de enero
12:30 h. – Teatro Bernardette Lafont (Bar) – Conferencia: “Mano a Mano” entre Arcángel y José María Velázquez-Gaztelu”
18:00 h. – Sala Odeón – Chicuelo y José Luis Montón – Concierto de Guitarra
21:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Dani de Morón – 21 – Artistas invitados: Jesús Méndez y Duquende

Viernes, 18 de enero
12:30 h. – Teatro Bernardette Lafont (Bar) – Conferencia: “Enrique Morente, la voz libre” de Balbino Guitérrez
18:00 h. – Sala Odeón – Kiki Morente – Albayzin
21:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Arcángel – Tablao

Sábado, 19 de enero
12:30 h. – Teatro Bernardette Lafont (Bar) – Conferencia: “Negro sobre blanco” de Cristina Cruces
18:00 h. – Sala Odeón – María Terremoto – La huella de mi sentío
21:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Ana Morales – Sin Permiso

Domingo, 20 de enero
18:00 h. – Teatro Bernardette Lafont – Ana Morales – Sin Permiso

Fonte: Canal Sur Radio y Televisión

Castanhola de fibra ou de madeira?

Muita gente que começa a estudar castanholas ainda tem em mente as tradicionais castanholas de madeira como o instrumento mais adequado. Mas hoje em dia, as castanholas de fibra já são muito mais utilizadas tanto nas aulas de escolas e conservatórios, quanto nos tablados e teatros pelo mundo inteiro.

Mas você sabe quais são as diferenças entre os dois materiais?

A castanhola de madeira é bem mais leve, mas é um material mais frágil do que a fibra, pois sofre com mudanças de temperatura (excesso de calor ou de frio) e umidade. Outra diferança bem marcante é o volume de som. A castanhola de madeira tem pouco alcance de som, a de fibra leva o som mais longe. A de fibra também tem o som mais agudo e vibrante que a de madeira.
Madeira ou fibra2

De qualquer maneira, a eleição da melhor castanhola é uma escolha pessoal. Muitas pessoas vão preferir a de madeira exatamente porque tem menos alcance de som ou porque não é tão aguda.  O importante é ter a informação para poder decidir.

Quer saber mais sobre castanholas?  Fazer perguntas,  tirar dúvidas? Escreva para mixi.richter@gmail.com

 

1ª FESTA DA BULERÍA VAI AGITAR CURITIBA

O Grupo Perla Flamenca promete colocar todo mundo para dançar durante a tarde do dia 01 de dezembro, na 1ª Festa da Bulería de Curitiba. Com inspiração na tradicional Festa da Bulería que acontece todos os anos na cidade de Jerez de la Frontera (Espanha), será uma tarde inteira de atividades com profissionais e artistas de diferentes segmentos – violão flamenco, percussão, cante, artes plásticas, dança e história.  “Bulería é um ritmo muito festivo do flamenco, impossível ficar parado e todos podem dançar e desfrutar, não é necessário conhecer passos”, afirma Miri Galeano, diretora do Grupo Perla Flamenca.

A festa terá programação intensa e para todas as idades. “Teremos um momento especial para as crianças, elas são muito espontâneas, vão se divertir muito”, diz Maria Thereza Prado, professora do Grupo. Em uma festa tão animada, a música é fundamental e estará a cargo do diretor musical do Grupo Jony Gonçalves.  “Acreditamos que ninguém vai conseguir ficar parado, mas se ficar, tudo bem, teremos parceiros vendendo comidinhas, bebidas e acessórios para dança”, lembra Miri Galeano.

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Miri Galeano, diretora do grupo Perla Flamenca. Foto: Leticia Volpi

PROGRAMAÇÃO

– O MUNDO ATRAVÉS DA ARTE
Palestra com Cláudia de Lara – 15h00

– VIVÊNCIA POR BULERÍAS PARA INICIANTES com Miri Galeano
(Você toca cajón ou guitarra flamenca? Venha com seu instrumento!) – 16h15

– VIVÊNCIA POR BULERÍAS PARA CRIANÇAS
Com Maria Tereza Prado – 16h15

– HISTÓRIA DA BULERÍA “VOZES FEMININAS”
– SOBRE ENVELHECER DANÇANDO E A IMPORTÂNCIA DOS MESTRES NO CAMINHO DA ARTE
Palestras com Letícia Volpi e Chari Nobre – 16h15 e 17h30

– VIVÊNCIA POR BULERÍAS PARA ALUNOS DE FLAMENCO (TODOS OS NÍVEIS)
Ritmo + Baile com Miri Galeano e Jony Gonçalves
(Você toca cajón ou guitarra flamenca? Venha com seu instrumento!) – 17h30

– GRANDE RODA DE ENERGIA POR BULERÍAS – 19h45

 

SERVIÇO

1ª Festa da Buleria em Curitiba
Data: 01/12 –  a partir das 15h
Local: Espaço Up Live (Rua Cláudio Manoel da Costa, 623 – Bom Retiro)
Valor do ingresso: R$ 30,00

Programação e ingressos: https://www.sympla.com.br/flamenco-1-festa-da-buleria—curitiba-pr__357600
Informações: (41) 99571-7379
Foto de capa: Leticia Volpi

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Lançamento da Cia Silvia Canarim no Theatro São Pedro

Como parte das comemorações dos seus 25 anos de carreira, a bailarina e coreógrafa Silvia Canarim lançou oficialmente a Companhia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade apresentando o espetáculo ‘Ainda Que Seja Noite’ no Theatro São Pedro, no dia 07/11, às 20h.

O Flamenco Por Aí entrevistou a diretora da companhia, Silvia Canarim, durante os últimos ensaios, para descobrir um pouco mais sobre sua história, a nova companhia de dança e a evolução do flamenco nestes últimos 25 anos.

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Silvia Canarim. Foto: Cristina Lima

Flamenco Por Aí: Como e onde começou o grupo?
Silvia Canarim: O Grupo surgiu a partir de um projeto que visava ampliar o trabalho feito nas minhas aulas de dança e completar o ciclo de aprendizado das alunas, ou seja, realizar um espetáculo onde elas passassem por todas as fases de criação do mesmo. Como professora, eu sentia que as apresentações de final de ano das escolas não propiciavam aos alunos uma compreensão maior do que é um trabalho artístico desde a sua concepção até o resultado final. Simplesmente, os alunos aprendiam uma coreografia e dançavam sem participarem do processo como um todo. Foi pensando nisso que criei o espetáculo Flamenco de Hoy y de Ayer em 1999, onde eu colocava na cena assuntos trabalhados nas aulas e também no meu trabalho como profissional (na época eu fazia parte do Grupo Jaleo, com a minha querida amiga Andréa Del Puerto) que era a questão da tradição x inovação. A obra teve uma ótima acolhida e foi apresentada no teatro Renascença de Porto Alegre nos anos de 1999 e 2000. Em 2002, o grupo fez sua primeira apresentação já como grupo profissional e estreou o espetáculo Mosaico – As Múltiplas Faces do Flamenco no Theatro São Pedro. Depois dele, vieram outras produções como Flamenco Fusión (2003), Encuentros Andaluces (2003), A Casa (2007), Solos y Bien Acompañaos (2008) e Como Montar um Baile (2012).

FPA: O que mudou no flamenco nestes 25 anos?
SC: Muita coisa! O flamenco evoluiu imensamente, como toda arte que é viva. Apesar do embate entre tradição x inovação seguir existindo, a transformação da linguagem é inevitável. A partir dos anos 90, artistas como Belén Maya, Israel Galván, Andrés Marín, Eva Yerbabuena e Juan Carlos Lérida colocaram o flamenco definitivamente no campo contemporâneo das artes e influenciaram (e continuam influenciando) todas as gerações posteriores. Hoje temos artistas como Rocío Molina, Marco Flores, Olga Pericet, Rafael Estevez, Marco Vargas e Chloé Brûlé, entre muitos outros. Isso se falamos só no âmbito do baile! A música e o cante também evoluíram na mesma proporção -como não poderia deixar de ser, já que o flamenco é uma tríade.

FPA: O que podemos esperar desta nova companhia de dança?
SC: O lançamento marca uma nova fase no Grupo Flamenco Silvia Canarim, que passa a se chamar Companhia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade. Além de marcar os meus 25 anos de carreira, quis enfatizar a nossa identidade artística, ou seja, a nossa linguagem busca uma concepção mais contemporânea desde a forma de trabalharmos até a criação dos espetáculos. Acredito que é quase uma formalização de um relacionamento (risos)! Há vários anos nós flertávamos com a linguagem contemporânea, agora quisemos assumir isso. Ou seja, o público pode esperar a continuidade de um trabalhado de investigação, porém agora mais “empoderado” para usar o conceito em voga. Gostamos de buscar uma identidade própria, de conhecer novas possibilidades criativas e, também, de nos desafiar, como é o caso do Ainda que seja noite, onde estamos colocando nossa voz em cena.

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Ainda Que Seja Noite – Cia Silvia Canarim. Foto: Cristina Lima

FPA: Como surgiu a ideia para o espetáculo?
SC: Esse é um trabalho que o grupo vem trabalhando há cerca de dois anos e meio. Surgiu um pouco da minha admiração pelo cantaor e criador Enrique Morente e, também, porque sua morte me impactou muito: eu estava em Madrid aguardando meu voo para voltar ao Brasil depois de dois anos vivendo em Sevilla, quando recebi a notícia. Desde então, quis fazer uma homenagem a esse artista que tanto fez pelo flamenco no sentido de preservar suas raízes, mas também de renovar essa seiva riquíssima. Quando vencemos o edital de ocupação Usina das Artes do Centro Cultural Usina do Gasômetro (infelizmente, mais um projeto cultural sucateado no nosso país…), tínhamos a situação ideal para criar: uma sala disponível para ensaios e oficinas 7 dias por semana durante dois anos! Foi assim que tudo começou. De uma homenagem inicial, acabamos mergulhando mais fundo no universo poético do Morente, a ponto desse universo se tornar nosso e o preenchermos com as nossas histórias e a nossa realidade. Como disse anteriormente, para nós, é importante essa busca por uma identidade própria e acredito que conseguimos fazer isso.

AINDA QUE SEJA NOITE
A obra tem como ponto de partida o universo poético do cantaor flamenco Enrique Morente, um dos grandes renovadores dessa arte. Morente trouxe para suas criações referências pouco usuais no flamenco de sua época como a poesia de Miguel Hernández, San Juan de La Cruz e Leonard Cohen, além de releituras de Garcia Lorca. No campo musical, mesclou suas composições com o rock e a música oriental, entre outros estilos.

O grupo também se inspirou na liberdade criativa do cantaor espanhol, nascido em Granada, para alargar os limites do flamenco e da dança. A morte, a guerra, a política e a espiritualidade são algumas das temáticas que foram exploradas por Morente e aqui são recontextualizadas pelas intérpretes.

O espetáculo de dança marca os 25 anos de carreira da coreógrafa e bailarina Silvia Canarim, nome de referência na pesquisa do flamenco no Brasil, principalmente em sua vertente contemporânea. Além de Silvia, compõem o elenco Iandra Cattani, Michelle Richter e Paula Finn, bailarinas que atuam na área de dança flamenca e contemporânea.

A direção cênica é assinada pela atriz Carla Cassapo, que estreia nesta função após experiências como preparadora de elenco no cinema e longa trajetória como integrante do Falos & Stercus, grupo teatral cujo hibridismo das linguagens cênicas é característica marcante do trabalho.

Ficha Técnica:
Concepção e Direção Coreográfica: Silvia Canarim
Direção Cênica: Carla Cassapo
Intérpretes Criadoras: Iandra Cattani, Michelle Richter, Paula Finn e Silvia Canarim.
Trilha Sonora original: Marcelo Fornazier. Participação especial de Giovani Capeletti
Trilha Sonora Pesquisada: o Grupo
Preparação Vocal: Bruno Cardoso
Criação e operação de luz: Fabrício Simões
Sonorização: Driko Oliveira
Figurino: Ana Medeiros (criação) e Naray Pereira (confecção)
Video Teaser: Antonio Ternura
Arte Gráfica: Michelle Richter
Produção: Paula Finn
Apoios: TVE e FM Cultura; Flamenco por Aí; Centro Espanhol; Dinâmico FM e Loop Reclame.