Arquivo da categoria: Entrevista

Lançamento da Cia Silvia Canarim no Theatro São Pedro

Como parte das comemorações dos seus 25 anos de carreira, a bailarina e coreógrafa Silvia Canarim lançou oficialmente a Companhia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade apresentando o espetáculo ‘Ainda Que Seja Noite’ no Theatro São Pedro, no dia 07/11, às 20h.

O Flamenco Por Aí entrevistou a diretora da companhia, Silvia Canarim, durante os últimos ensaios, para descobrir um pouco mais sobre sua história, a nova companhia de dança e a evolução do flamenco nestes últimos 25 anos.

SIlvia Canarim
Silvia Canarim. Foto: Cristina Lima

Flamenco Por Aí: Como e onde começou o grupo?
Silvia Canarim: O Grupo surgiu a partir de um projeto que visava ampliar o trabalho feito nas minhas aulas de dança e completar o ciclo de aprendizado das alunas, ou seja, realizar um espetáculo onde elas passassem por todas as fases de criação do mesmo. Como professora, eu sentia que as apresentações de final de ano das escolas não propiciavam aos alunos uma compreensão maior do que é um trabalho artístico desde a sua concepção até o resultado final. Simplesmente, os alunos aprendiam uma coreografia e dançavam sem participarem do processo como um todo. Foi pensando nisso que criei o espetáculo Flamenco de Hoy y de Ayer em 1999, onde eu colocava na cena assuntos trabalhados nas aulas e também no meu trabalho como profissional (na época eu fazia parte do Grupo Jaleo, com a minha querida amiga Andréa Del Puerto) que era a questão da tradição x inovação. A obra teve uma ótima acolhida e foi apresentada no teatro Renascença de Porto Alegre nos anos de 1999 e 2000. Em 2002, o grupo fez sua primeira apresentação já como grupo profissional e estreou o espetáculo Mosaico – As Múltiplas Faces do Flamenco no Theatro São Pedro. Depois dele, vieram outras produções como Flamenco Fusión (2003), Encuentros Andaluces (2003), A Casa (2007), Solos y Bien Acompañaos (2008) e Como Montar um Baile (2012).

FPA: O que mudou no flamenco nestes 25 anos?
SC: Muita coisa! O flamenco evoluiu imensamente, como toda arte que é viva. Apesar do embate entre tradição x inovação seguir existindo, a transformação da linguagem é inevitável. A partir dos anos 90, artistas como Belén Maya, Israel Galván, Andrés Marín, Eva Yerbabuena e Juan Carlos Lérida colocaram o flamenco definitivamente no campo contemporâneo das artes e influenciaram (e continuam influenciando) todas as gerações posteriores. Hoje temos artistas como Rocío Molina, Marco Flores, Olga Pericet, Rafael Estevez, Marco Vargas e Chloé Brûlé, entre muitos outros. Isso se falamos só no âmbito do baile! A música e o cante também evoluíram na mesma proporção -como não poderia deixar de ser, já que o flamenco é uma tríade.

FPA: O que podemos esperar desta nova companhia de dança?
SC: O lançamento marca uma nova fase no Grupo Flamenco Silvia Canarim, que passa a se chamar Companhia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade. Além de marcar os meus 25 anos de carreira, quis enfatizar a nossa identidade artística, ou seja, a nossa linguagem busca uma concepção mais contemporânea desde a forma de trabalharmos até a criação dos espetáculos. Acredito que é quase uma formalização de um relacionamento (risos)! Há vários anos nós flertávamos com a linguagem contemporânea, agora quisemos assumir isso. Ou seja, o público pode esperar a continuidade de um trabalhado de investigação, porém agora mais “empoderado” para usar o conceito em voga. Gostamos de buscar uma identidade própria, de conhecer novas possibilidades criativas e, também, de nos desafiar, como é o caso do Ainda que seja noite, onde estamos colocando nossa voz em cena.

CRISLIMA54_240818_1881Cartaz
Ainda Que Seja Noite – Cia Silvia Canarim. Foto: Cristina Lima

FPA: Como surgiu a ideia para o espetáculo?
SC: Esse é um trabalho que o grupo vem trabalhando há cerca de dois anos e meio. Surgiu um pouco da minha admiração pelo cantaor e criador Enrique Morente e, também, porque sua morte me impactou muito: eu estava em Madrid aguardando meu voo para voltar ao Brasil depois de dois anos vivendo em Sevilla, quando recebi a notícia. Desde então, quis fazer uma homenagem a esse artista que tanto fez pelo flamenco no sentido de preservar suas raízes, mas também de renovar essa seiva riquíssima. Quando vencemos o edital de ocupação Usina das Artes do Centro Cultural Usina do Gasômetro (infelizmente, mais um projeto cultural sucateado no nosso país…), tínhamos a situação ideal para criar: uma sala disponível para ensaios e oficinas 7 dias por semana durante dois anos! Foi assim que tudo começou. De uma homenagem inicial, acabamos mergulhando mais fundo no universo poético do Morente, a ponto desse universo se tornar nosso e o preenchermos com as nossas histórias e a nossa realidade. Como disse anteriormente, para nós, é importante essa busca por uma identidade própria e acredito que conseguimos fazer isso.

AINDA QUE SEJA NOITE
A obra tem como ponto de partida o universo poético do cantaor flamenco Enrique Morente, um dos grandes renovadores dessa arte. Morente trouxe para suas criações referências pouco usuais no flamenco de sua época como a poesia de Miguel Hernández, San Juan de La Cruz e Leonard Cohen, além de releituras de Garcia Lorca. No campo musical, mesclou suas composições com o rock e a música oriental, entre outros estilos.

O grupo também se inspirou na liberdade criativa do cantaor espanhol, nascido em Granada, para alargar os limites do flamenco e da dança. A morte, a guerra, a política e a espiritualidade são algumas das temáticas que foram exploradas por Morente e aqui são recontextualizadas pelas intérpretes.

O espetáculo de dança marca os 25 anos de carreira da coreógrafa e bailarina Silvia Canarim, nome de referência na pesquisa do flamenco no Brasil, principalmente em sua vertente contemporânea. Além de Silvia, compõem o elenco Iandra Cattani, Michelle Richter e Paula Finn, bailarinas que atuam na área de dança flamenca e contemporânea.

A direção cênica é assinada pela atriz Carla Cassapo, que estreia nesta função após experiências como preparadora de elenco no cinema e longa trajetória como integrante do Falos & Stercus, grupo teatral cujo hibridismo das linguagens cênicas é característica marcante do trabalho.

Ficha Técnica:
Concepção e Direção Coreográfica: Silvia Canarim
Direção Cênica: Carla Cassapo
Intérpretes Criadoras: Iandra Cattani, Michelle Richter, Paula Finn e Silvia Canarim.
Trilha Sonora original: Marcelo Fornazier. Participação especial de Giovani Capeletti
Trilha Sonora Pesquisada: o Grupo
Preparação Vocal: Bruno Cardoso
Criação e operação de luz: Fabrício Simões
Sonorização: Driko Oliveira
Figurino: Ana Medeiros (criação) e Naray Pereira (confecção)
Video Teaser: Antonio Ternura
Arte Gráfica: Michelle Richter
Produção: Paula Finn
Apoios: TVE e FM Cultura; Flamenco por Aí; Centro Espanhol; Dinâmico FM e Loop Reclame.

Flamencos Brasileiros no Festival de Jerez

Na próxima edição do Festival de Jerez, um dos mais importantes eventos de dança flamenca da Espanha e do mundo, dois brasileiros estarão se apresentado no icônico Teatro Villamarta, integrando a Compañía Internacional de Flamenco – Flamenconautas, dirigida por Javier Latorre, e com direção musical do também brasileiro Flávio Rodrigues, que fará a estreia absoluta do espetáculo “Vamo’ Allá”.

Fábio Rodriguez e Gabriel Matias são dois expoentes do flamenco no Brasil, com histórias e formações diferentes na dança. Seus trabalhos refletem a seriedade e o respeito que ambos tem por esta arte. Por isso, eu fui conversar com eles e trouxe um pouco da trajetória de cada um e suas expectativas para a estreia no festival em fevereiro de 2018. Confira a seguir as entrevistas com estes grandes profissionais que entre um ensaio e outro falaram com o Flamenco Por Aí.

FÁBIO RODRIGUEZ

23722019_10156794673733496_1746898125_n
Foto: Mari Hirata

Fábio Rodriguez começou dançando flamenco em 1999, em São Paulo, com o maestro Paulo Santos. Morou 6 anos na em terras espanholas, trabalhando em tablaos e teatros. Hoje ele atua com companhias e escolas em todo o Brasil, como bailaor, professor e coreógrafo.

Flamenco Por Aí: Como foi a sua formação no flamenco?
Fábio Rodriguez: Comecei com o maestro Paulo Santos, em São Paulo, em 1999, e sou muito grato por tudo que ele me ensinou. Posteriormente, entrei como aluno no Raies Dança Teatro, fazendo aulas com Denise Santoro, e também estudei um pouco com Ana Moreno. Sobre os cursos internacionais,  perdi a conta de quantos eu fiz, pois foram muitos, sempre estudava muito, em media 6 horas diárias. Alguns dos maestros com quem estudei foram Domingo Ortega, Inmaculada Ortega, Carmen La Talegona, Pol Vaquero, Manuel Liñan, Marco Flores, Alfonso Losa, Javier Latorre, entre outros. Também fiz dança española e jotas em Cias, com Nacho Fernandez e Sara Lezana.

FPA: Conte um pouco sobre sua trajetória profissional no flamenco e o trabalho desenvolvido no Brasil como professor, coreógrafo e bailaor de flamenco.
Fábio: Como professor no Brasil, acabei desenvolvendo um trabalho em quase todos os estados para amadores e profissionais da área, desde Porto Alegre até Fortaleza. Por alguns anos também estive ministrando aulas para vários profissionais de São Paulo, em aulas regulares e particulares.

23755997_10156794674338496_465796719_n
Foto: Carlos Cabrero

Como bailaor, trabalho bastante, sempre gostei de atuar e bailar, mas sinceramente tenho muito prazer em coreografar. Dos espetáculos que montei no Brasil, o primeiro foi um grande teste, ‘Luzes e Sombras’. Depois o espetáculo ‘Ritual’, que foi uma versão da Missa Flamenca, no grande teatro José de Alencar, em Fortaleza, com quase 50 bailaores. Também montei o espetáculo ‘Retratos’, dirigindo 8 profissionais de São Paulo, que na época também eram minhas queridas alunas e hoje seguem dando aulas. Tive o prazer de ter como convidados no show, Carmen La Talegona e Talegón de Córdoba. Das minhas duas voltas da Espanha, montei o espetáculo ‘Flamencorazon’, em Belo Horizonte, em parceria com La Sala Mila Conde, trazendo ao Brasil a grande bailaora espanhola Sara Nieto.

FPA: Você já viveu na Espanha e trabalhou em companhias de flamenco por lá. Conte um pouco sobre esta experiência, o que foi mais marcante nestes trabalhos.
Fábio: Morei 6 anos em terras espanholas, tive muito contato com danças regionais, dança clássica, dança bolera e flamenco. Trabalhei com o ballet nas Ilhas Canarias, com um pessoal muito bom de Sevilla. Mais tarde, quando me mudei para Toledo, trabalhei em alguns tablaos de Madrid, como Sala Clamores, Cafe Ziryab, El Cortijo, Sala Barco, etc. Também atuava todas as noites em Madrid no Teatro Muñoz Seca, contratado da Cia Ballet Flamenco de Madrid, sob direção de Sara Lenaza, com clássico español, flamenco e danças regionais, como corpo de baile e solista. Ministrava cursos e atuava em Milão, na Itália, com a bailaora Sara Nieto. O que mais me marcou neste tempo foi o convite para incorporar a Cia de Javier Latorre, para corpo de baile e segundo protagonista do espetáculo flamenco ‘Quijote, Al Compás de Un Sueño’. Estreamos no teatro Coliseum na Gran Via, e depois disso partimos para uma turnê em 6 cidades na China.

23756100_10156794675898496_833836297_n
Espetáculo ‘Quijote, Al Compás de Um Sueño’. Foto: Anderson Alves

Muitas horas de ensaio, muita dedicação, estudos, trabalhei ao lado de alguns integrantes do Ballet Nacional de España, com montagens do próprio Javier Latorre, e Concha Jareño como coreógrafa convidada. O mais bacana de tudo isso, era que em todas as companhias por onde passei, sempre tivemos nosso registro em carteira, nossos salários pagos em dia, todos os ensaios eram remunerados devidamente, vestuários, alimentações, transportes, e no caso das Ilhas Canarias, a empresa ainda dava a casa, pagavam as contas, e tinha carro a disposição para levar e trazer do trabalho. Foi uma experiência única, incrível, e que com certeza somou muito para minha trajetória como bailaor e coreógrafo fora do Brasil.

FPA: Como surgiu o convite para a Cia Internacional de Flamenco? Como vai ser este espetáculo que terá artistas de várias partes do mundo?
Fábio: Bom, eu já havia trabalhado com o Javier Latorre antes, como disse, no espetáculo ‘Quijote, Al Compás de Un Sueño’, e como ele já conhecia meu perfil como bailaor, e em questões técnicas e cênicas, acabou propondo este segundo trabalho para a estreia no Festival de Jerez 2018. Desta vez, para estar com mais companheiros profissionais de outros países, que tem suas vidas dedicadas à arte flamenca. Já aproveito este tema para dizer que nesses anos na Espanha, sempre batalhei e estudei muito para acabar chegando um convite desse nível. Nada caiu do céu pra mim, acredito que nessa vida sempre sabemos qual é o nosso merecimento, e quando acontece alguma coisa assim, temos que saber em que posição estamos para aceitar esse mérito que o universo nos proporciona. Lógico que, sem perder a humildade, mas estando conscientes dos esforços e estudos que fizemos para estar ali e sermos reconhecidos dessa maneira.

FPA: Como está a expectativa de dançar em um dos festivais mais importantes de flamenco?
Fábio: A expectativa para um festival desse nível é altíssima, pois é um dos principais festivais do mundo. Até agora está sendo muito tranquilo, emocionalmente, e com certeza, quando for chegando perto, dará mais frio na barriga, mas o segredo acho que é estarmos confiantes no nosso potencial e saber onde podemos chegar tecnicamente. Já pensando numa grande superação, com muito estudo, muito suor, dedicação e amor pelo flamenco. Lógico que já começam pessoas do contra, dizendo que flamenco é de gitanos, de raça pura, etc… Alguns comentários até bem mal educados, mas acho que faz parte, infelizmente não podemos agradar a todos e nem devemos. Mas, como mínimo, fazer algo com muito respeito. Como o flamenco é patrimônio imaterial da humanidade, com certeza não dependerá de nenhuma raça ou pureza para fazer um bom trabalho, técnico, moderno e de muitíssimo bom gosto, como são as montagens desse gênio Javier Latorre, que já coreografou para Eva Yerbabuena, Ballet Nacional de España, Carlos Saura, entre infinitos trabalhos maravilhosos que realizou. Sempre agradeço por estar ao lado de um coreógrafo genial assim e com um time de primeiro escalão e com alto nível.


GABRIEL MATIAS

Gabriel Matias
Foto: Daniel Carbonell

Gabriel Matias acompanhava sua mãe às aulas de flamenco, até que um dia foi convidado a fazer aulas também. Ele tinha 11 anos. Hoje está em Madrid, há quase 3 anos, estudando no Conservatorio Superior de Danza María de Ávila, com professores como Rafaela Carrasco e Isabel Bayon.

Flamenco Por Aí: Como você descobriu o flamenco?
Gabriel Matias: Eu comecei a dançar com 11 anos de idade em Porto Alegre, porque minha mãe fazia aula de flamenco com o maestro Robinson Gambarra, no Tablado Andaluz. Como eu era muito pequeno, eu acompanhava ela nas aulas, na volta do colégio. Até que um dia ele me convidou para fazer aula, em 2006, e aí eu comecei a dançar. Durante 4 anos eu fiz aula com o Robinson, que é a pessoa que eu considero que tem muita influencia na minha maneira de dançar e de entender o flamenco. Também fiz aula com Andrea Franco e Pedro Fernandez durante esses quatro anos. Neste período, também fiz aulas com Stephano Domit, Miriam Galeano, Miguel Alonso e fiz vários cursos internacionais. Depois comecei a fazer aulas com a Juliana Prestes, da Cia de Flamenco Del Puerto (Ela e Robinson Gambarra foram meus principais maestros) e, paralelamente, eu trabalhei na companhia, durante 3 anos. Eu considero também como parte da minha formação os lugares onde trabalhei. Durante 4 anos, eu dancei semanalmente na Peña do Tablado Andaluz. Subir no palco regularmente me ajudou muito a dançar e observar como os outros bailaores trabalhavam. E depois na Cia Del Puerto, com os espetáculos ‘Las Cuatro Esquinas’ e ‘Consonantes’, sendo que neste último eu coreografei também.

FPA: Como foi a decisão de ir morar em Madri para estudar e se dedicar ao flamenco?
Gabriel: Eu vim para os famosos 3 meses de turismo, em março de 2015, e na época a Gisele Domit (bailaora brasileira que vive em Madrid) estudava no Conservatório Superior de Dança Madrid. Ela me falou que tinha um curso sobre a pedagogia do baile flamenco. Eu achei interessante, fui visitar o conservatório e descobri que a prova de acesso seria em julho.  Então eu fiz a prova, passei e, em setembro, vim para cá. Agora, em março de 2018, faz 3 anos que estou aqui. Estudo Pedagogía de la Danza no Conservatorio Superior de Danza María de Ávila e tenho como professores Rafaela Carrasco, Isabel Bayon e Jesus Torres (guitarrista). Tenho aula de técnica todas as manhãs, de clássico espanhol, dança estilizada com castanholas, contemporâneo e técnicas de flamenco. Aulas de metodologia e aulas teóricas de história da dança, psicologia, história da arte, etc. São 4 anos e ainda faltam 1 ano e meio para eu terminar.

FPA: Como surgiu o convite para a Cia Internacional de Flamenco?
Gabriel: O convite foi na verdade pelo Facebook (risos). Uma colega minha do conservatório, Ana Latorre, filha do Javier Latorre, fez contato comigo. Eu também já conhecia o produtor do espetáculo, o Sebastián. Eles conheciam o meu trabalho, conversaram com a Ana e fizeram o convite. Eu fiquei muito contente. Os ensaios começam no final de janeiro em Jerez. A programação é essa, ficaremos todo o mês em Jerez e dançaremos no final de fevereiro.

FPA: Como está a expectativa de dançar em um dos festivais de flamenco mais importantes do mundo?
Gabriel: A minha expectativa para dançar neste festival é muito grande. A primeira vez que eu vim para a Espanha foi em 2013, eu fiquei dois meses e estive no Festival de Jerez. Fiquei muito encantado porque o festival é uma imersão no flamenco. Todos os espetáculos do momento de companhias muito importantes passam por ali. O Festival de Jerez e a Bienal de Sevilla são os dois festivais mais importantes do ano para as grandes companhias. Nessa época, eu via a ideia de dançar no festival como uma coisa muito distante, nunca tinha pensado em dançar ali. Por isso, esse convite vai ser uma grande honra, ainda mais para dançar no Teatro Villamarta, que é o palco principal do festival. Acho que vai me emocionar bastante. Para mim também vai ser muito especial porque vão estar no festival minhas professoras do conservatório, Isabel Bayón e Rafaela Carrasco. Até brinquei com a Isabel que estamos dividindo os festivais (risos). Estivemos no Madrid en Danza, em dezembro, e agora vamos nos encontrar em Jerez. Eu estou muito feliz de estar dentro de uma companhia. Tinha vontade há muito tempo de dançar como corpo de baile. E o que eu mais espero é viver este momento, esta experiência de companhia, mas não esperando outras oportunidades ou mudanças a partir daí. Acredito no momento em que estarei lá dançando, aproveitando a experiência de estar com estes profissionais.


SERVIÇO
VAMO’ ALLÁ – FLAMENCONAUTAS, CIA. INT. DE FLAMENCO
Dia 27 de fevereiro – 21 horas
Teatro Villamarta – Jerez de la Frontera
Ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos no site oficial de venda do Festival de Jerez.

23772111_10156794685023496_1799310528_n

 

 

 

 

 

 

O Torero de Antonio Canales

O Ballet Flamenco Antonio Canales apresenta nos dias 02 e 03 de dezembro, a remontagem de duas obras emblemáticas, os espetáculos Bernarda (1997) e Torero (1994), na 32ª edição do Festival Madrid em Danza. Sob a direção de Aída Gomez, o festival este ano presta homenagem ao bailaor e coreógrafo sevilhano Antonio Canales.

Seria só a divulgação de um espetáculo de flamenco na Espanha, como tantos outros que o Flamenco Por Aí apresenta, não fosse o fato de que o bailaor brasileiro Gabriel Matias estará no corpo de baile de ambos os espetáculos, atuando ao lado de Antonio Canales e nomes importantes do flamenco. E aí, claro, fui falar com o Gabriel, que vive há quase 3 anos na Espanha, estuda Pedagogia de la Danza no Conservatorio Superior de Danza María de Ávila e tem entre seus professores Rafaela Carrasco e Isabel Bayon. Em entrevista exclusiva para o Flamenco Por Aí, ele nos contou como surgiu o convite para atuar com a companhia e suas expectativas com este trabalho.

Gabriel Matias-Foto Daniel Carbonell-01
Gabriel Matias. Foto: Daniel Carbonell

FLAMENCO POR AÍ: Como surgiu o convite para os espetáculos Bernarda e Torero?
GABRIEL MATIAS: O convite surgiu no conservatório. Eu estava na aula de técnica de Isabel Bayon, um dia de manhã, quando entrou Antonio Canales e sentou-se para assistir ao final da aula. Ninguém sabia o que era. Quando acabou a aula, ele disse que queria falar comigo. Eu não sabia o que era, na verdade, ninguém sabia. Ele me contou que precisava de um bailarino para a companhia. Ele já me conhecia de um curso que eu fiz com ele há dois anos, onde eu recebi um diploma de destaque no final. E de uma outra vez, quando ele deu uma masterclass no conservatório em junho deste ano, no encerramento do ano letivo. Mas foi isso, ele me convidou e eu fiquei super feliz. O Madrid em Danza está na 32ª edição e é um festival bem importante. Nos últimos anos, com a direção da Aída Gomez, o festival sempre homenageia  algum coreógrafo importante e, este ano, o escolhido é Antonio Canales. A proposta é remontar dois espetáculos do repertório da sua companhia, Bernarda e Torero. Ambos tiveram suas estreias nos anos 90, mas Torero, principalmente, foi muito representativo para a coreografia espanhola em geral, na maneira de mover os bailarinos, de lidar com o argumento, com a ação dramática.

FPA: Quando começaram os ensaios e como é a rotina de trabalho para este espetáculo?
GM: Os ensaios começaram em 23 de outubro, um mês e uma semana antes da estreia. Eu trabalho basicamente com os repetidores da companhia, Pol Vaquero e Mónica Fernández, que são os responsáveis por ensinar as coreografias e ensaiar os bailes. Eu estou no corpo de baile, então todos os ensaios são com meus companheiros de baile, somos em 3 meninos e 3 meninas. Os ensaios são sempre de segunda a sexta, numa media de 4 horas por dia, porque são dois espetáculos para aprender neste período curto de tempo, então é bastante trabalho. Os ensaios acontecem na sala de ensaio dos Teatros del Canal ou na Escuela Flamenca de Antonio Canales, em Alcorcón, distante uns 15km de Madrid.

FPA: Como é trabalhar com Antonio Canales, um dos grandes maestros do flamenco?
GM: Trabalhar com o Canales é uma experiência que todo mundo quer ter, e eu me sinto privilegiado. Não só por ser dirigido por ele, mas poder estar presente nestes dois espetáculos que são referencia no flamenco. Porque mesmo antes de ser chamado, eu já conhecia os espetáculos e tanta gente importante que já fez parte desta companhia, como Davi Paniagua, Pol Vaquero, Juan de Juan, entre outros. Então vai ser com certeza uma experiência única. Além disso, eu posso ver como ele (Canales) vê as coisas e entender o que tem influência no seu trabalho. Ele não se fechou no flamenco ortodoxo, ele se deixa influenciar pela pintura, por outras técnicas de dança e de movimento, pela arquitetura e, principalmente, pelas pessoas. Ele fala muito que quando criou Bernarda (baseado no livro A Casa de Bernarda Alba – García Lorca), ele foi para o interior da Espanha para fazer um laboratório mesmo, e observava como as viúvas viviam seus lutos e suas vidas nos pueblos. Ele leva em conta tudo isso, não só os passos. E sem contar que para o Canales é uma grande emoção remontar dois espetáculos que foram tão importantes na carreira dele. Ele realmente chora nos ensaios porque os espetáculos são muito bonitos, bem construídos e bem dirigidos.

FPA: O que tu vais levar deste trabalho para tua vida profissional?
GM: Acho que o que eu vou levar deste trabalho é esta convivência do todo. De que a arte é um grande caldeirão e não um segmento. Na prática, eu fico impressionado que a coreografia de Torero, por exemplo, que é bastante avançada para a sua época. Usa diferentes níveis e dinâmicas de movimento, alturas e direções. Eu não sinto que eu danço flamenco somente, é uma outra maneira de movimentar o corpo. E isso é uma coisa que só as pessoas que tem este dom e esta capacidade de trabalho como ele conseguem fazer.

canales
Antonio Canales. Foto: Beatrix Molnar

TORERO Y BERNARDA
BALLET FLAMENCO ANTONIO CANALES

FICHA ARTÍSTICA –  BERNARDA
Suite sobre la Casa de Bernarda Alba
Estreno en el Teatro Nuevo Apolo de Madrid en 1997

Bernarda: Antonio Canales
Adela: Pol Vaquero
Poncia: Daniel Navarro
Angustias: Cristian Sánchez
Magdalena: Cristian Pérez
Martirio: Emilio Rivas
Amelia: Gabriel Matías
María Josefa: María La Coneja
Guitarrista: Iván Losada
Cantaores: Chelo Pantoja y Gabriel de la Tomasa*
Percusionista: Lucky Losada
Dirección escénica y guion: Lluís Pasqual
Coreografía: Antonio Canales
Diseño de escenografía, vestuario e iluminación: Lluís Pasqual
Música: José Jiménez, Ramón Jiménez, David Cerreduela
Decorados: O’Deon Decorados
Vestuario: Cornejo, Tommy y Eva Pedraza

FICHA ARTÍSTICA – TORERO
Estreno en el Teatro Madrid en 1994

Torero: Ángel Rojas (2 de diciembre) y Pol Vaquero (3 de diciembre)
Toro: Pol Vaquero (2 de diciembre) y Mariano Bernal (3 de diciembre)
Mozo de espadas: Emilio Rivas
Madre: Mónica Fernández
Mujer: Noelia Ruiz
Toreros: Daniel Navarro, Cristian Pérez, Cristian García y Gabriel Matías
Manolas: María Cerezo y Noelia Ruiz
Guitarristas: Iván Losada y Kilino Jiménez
Cantaores: Chelo Pantoja y Gabriel de la Tomasa
Percusionista: Lucky Losada
Flauta: Eloy Heredia
Dirección escénica: Luis Olmos
Coreografía: Antonio Canales
Música: José Jiménez El Viejín, Ramón Jiménez, Livio Gianola, Oylem Golem
Idea y guión: Lucho Ferruzzo
Diseño de luces: Sergio Spinelli
Escenografía: Carpintería para la Danza
Sastrería de toreros: Justo Algaba
Vestuario: Eva Pedraza
Director técnico: Juan Carlos Osuna
Regidor: Jaime Morales
Técnico de iluminación: Juan Carlos Osuna
Técnico de sonido: Manu Meñaca
Sastrería: Manuel Jiménez y Mari Luz Telo
Repetidora: Mónica Fernández
Producción ejecutiva: soumahproject+
Director de producción: François Soumah
Producción: Manuel Jiménez
Gerente y Manager: Antonio Gómez
* Artista cedido por gentileza del Ballet Nacional de España.

COLABORAN: Carpintería de la Danza, Justo Algaba Sastrería de toreros, Sonicine.

 

Flamenco direto de Vancouver

Quem me conhece sabe que eu estou sempre procurando o flamenco por aí… Quando viajo, procuro saber o que existe sobre a programação de flamenco na cidade onde eu vou, para tentar assistir ou fazer uma aula. Por isso, também adoro quando meus amigos viajam e mandam notícias flamencas de outras cidades.

Eis que minha amiga e também aluna de flamenco Thaís Duarte esteve em Vancouver, na costa oeste do Canadá e, é claro, encontrou aulas e shows de flamenco. Ela contou para o Flamenco Por Aí sobre as aulas que fez com Adela Campallo, bailaora e maestra de Sevilla, e também intermediou uma entrevista com Oscar Nieto, diretor artístico da Al Mozaico Flamenco Dance Academy.


“O nome Mozaico honra o mosaico de estudantes de diferentes culturas, idades e circunstâncias, que são atraídos pelo flamenco e são bem-vindos neste lugar.”


O PAI DO FLAMENCO EM VANCOUVER

Al Mozaico Flamenco existe há mais de 40 anos e foi fundada por Oscar Nieto, um dos pioneiros do flamenco no país, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Flamenco Por Aí, contando um pouco da sua trajetória, que se mistura com a própria história do flamenco em Vancouver.

Mozaico-Flamenco-Oscar-2007
Oscar Nieto, sócio e diretor artístico de Al Mozaico Flamenco

Flamenco Por Aí: Como é a cena flamenca em Vancouver?
Oscar Nieto: O flamenco por aqui está prosperando. Quando eu cheguei pela primeira vez em Vancouver, em 1983, não havia estúdios de flamenco ou escolas. Hoje existem quatro escolas e vários professores ensinando por toda a cidade. Há um tablado, The Kino Café, dedicado a apresentação de performances de flamenco, e um outro restaurante The Chai Lounge, que apresenta shows flamencos regulares.

FPA: Sua escola existe há mais de 40 anos, qual é o segredo? O que a torna especial?
ON: Minha sócia Kasandra Lea e eu fundamos nossa escola, Al Mozaico Flamenco Dance Academy, quinze anos atrás, em 2002. No entanto, eu já venho ensinando flamenco com o nome de Mozaico Flamenco desde 1972. Acredito que o nosso sucesso tem a ver com a atenção aos detalhes da dança, o que eu chamo de “fisiologia do bailarino” e a ênfase que colocamos no cante e na integração deste com a música e a dança. Dedicamos muita atenção aos palos festeiros como bulerías e tangos.

mozaico-flamenco-vancouver-kasandra-hat-2015_foto-elvira-yebes.jpg
Kasandra Lea, sócia do Al Mozaico Flamenco. Foto: Elvira Yebes

 

FPA: Qual é a importância de trazer nomes como Adela Campallo para a cidade e para os seus alunos? O que você espera que eles aprendam?
ON: Nosso objetivo é que os estudantes aprendam diretamente dos professores, coreógrafos e bailaores convidados, que trazem as mais recentes informações coreográficas que estão sendo ensinadas na Espanha. Nossos alunos comentam que muitas vezes não é a complexidade dos passos, e sim a sutileza do movimento e a sua interpretação o mais difícil de aprender.

FPA: De que maneira você vê sua carreira conectada com a cena flamenca em Vancouver?
ON: Com a devida modéstia, muitos estudantes me chamam de “pai flamenco”. Eles também me chamam de várias outras coisas, mas não vamos entrar neste assunto (risos). Eu sinto muita alegria e satisfação em saber que eu contribuí, da minha maneira, para a disseminação, continuidade e evolução desta arte aqui em Vancouver e por todo o Canadá.

FPA: Quando se fala da disponibilidade de material de pesquisa e do número de escolas e professores, o quanto é diferente hoje da época em que você começou a ensinar flamenco?
ON: A maior mudança aconteceu por causa da Internet. Este fator isoladamente tem sido fundamental na conexão generalizada do flamenco com alguns dos lugares mais remotos do mundo. E é claro que existe o componente mídias sociais para divulgação e compartilhamento de informações. Quando eu comecei não havia Youtube, Facebook, Instagram ou Skype. Tínhamos sorte se alguma companhia de flamenco aparecesse em turnê ou mais sortudos ainda se houvesse um filme com alguém dançando flamenco ou dança espanhola. Eu não sei quantos LPs eu escutei, tocando-os repetidas vezes e tentando descobrir como os bailarinos na gravação faziam os sapateados. Quando eu fui pela primeira vez à Espanha, em 1974, nós éramos a primeira geração de estudantes que tinha gravadores de fitas cassete, que eram volumosos se comparados aos aparelhos que temos hoje para gravação. Apenas alguns tinham filmadoras e estas nem sequer tinham som. E havia também os gravadores de fitas com bobinas e estes pesavam uma tonelada! Eu ouso dizer que os estudantes de hoje tem uma grande vantagem sobre o que nós tivemos para trabalhar. Mas, por outro lado, hoje nós temos que realmente usar nossa imaginação para criar material novo, fora do que já temos armazenado.


CURSO FLAMENCO COM ADELA CAMPALLO

De tempos em tempos, Al Mozaico leva professores convidados da Espanha para ministrar cursos de flamenco na escola. Adela Campallo esteve lá em agosto deste ano e Thaís Duarte nos conta nesta entrevista como foram as aulas.

Flamenco Por Aí: Como foram as aulas de flamenco com Adela Campallo? Qual o curso que você fez?
Thaís Duarte: Foram fisicamente intensas e muito gratificantes. Fiz dois cursos: tangos e bulerías de Utrera. As aulas eram de uma hora e meia cada e duraram de três a quatro dias, dependendo do curso escolhido. As aulas em todas as modalidades, pelo que pude observar, estavam com bastante público. Era tudo muito objetivo, com atenção à estrutura do baile e entusiasmo de dançar, ao mesmo tempo.

FPA: No que se parecem com as aulas daqui do Brasil (POA) e no que são diferentes?
TD: Como era curso de verão já é uma dinâmica diferente de aula regular, e por isso mesmo muito semelhante aos workshops no Brasil. Foi passada uma coreografia e a partir daí alguns itens do baile foram destacados como parte da estrutura, mas sem explicações muito aprofundadas. Um ponto muito positivo foi todas as aulas serem com a presença de um guitarrista. Teve cante também, mas só no curso de soleá, um dos módulos para avançado. E sendo a Adela uma artista que conhece muito bem como se dança nas ruas de Sevilha, a didática e dinâmica das aulas eram um pouco distintas. Houve uma tentativa de trazer para as aulas esse espírito de festa, de um corpo mais solto e uma postura correta mas não rígida.

FPA: Qual o aprendizado mais importante do curso?
TD: Sem dúvida o que se tira de mais importante é a necessidade de aliar a técnica ao gosto por dançar, para dar ao baile uma cor ou um sabor todo nosso, como uma assinatura. Ser feliz enquanto se dança é tão importante quanto saber dançar.


Agradecimentos: Thais Duarte, Oscar Nieto.

Saiba mais:
Al Mozaico Flamenco
The Kino Café
The Chai Lounge

 

 

Flamenco terapia: dança e amizade além da sala de aula

Conheço a Cia Flamenca Ana Paula Minari há alguns anos e acompanho o trabalho da professora Ana Paula com suas alunas das turmas de terceira idade em Londrina. Sou testemunha da transformação que a dança flamenca produz nas pessoas que a praticam.

Em maio deste ano, eu estive acompanhando o encerramento da Semana Flamenca de Londrina, que aconteceu no Teatro Mãe de Deus, com convidados especiais e a participação de muitas destas alunas. Foi então que eu pensei em contar um pouco destas histórias. Perguntei às alunas por que começaram a dançar flamenco e recebi depoimentos gravados em  vídeo sobre como elas encontraram a dança na terceira idade e que papel o flamenco começou a ter nas suas vidas.

Confira  que elas disseram no vídeo!

AGRADECIMENTOS
Cia Flamenca Ana Paula Minari: cfanapaulaminari.blogspot.com
Captação de imagens para o vídeo: Jessica Pizza – Fotografia
Foto de capa: Saulo Ohara

 

 

A cantaora e bailaora Thatá Flores ensina flamenco em Cabo Frio

Natural de Porto Alegre/RS, Thatá Flores iniciou sua trajetória artística no flamenco, cursando aulas e workshops de baile e profissionalizando-se como cantora do gênero. Foi na Escola e Cia de Dança Flamenca Tablado Andaluz, uma das mais importantes difusoras dessa arte no Brasil, que se especializou durante 8 anos. Desde sua mudança para a Região dos Lagos/RJ, em 2013, Thatá vêm se apresentando em espetáculos de flamenco como cantaora pela capital do Rio de Janeiro (“Sin Fronteras”, Casarão Ameno Resedá) e outras cidades como Macaé (“Tempo” Studio Cláudia Prince, Teatro Municipal).

DSC_8039
Foto: divulgação

Durante essa caminhada longe de casa, Thatá Flores foi frequentemente surpreendida por inúmeros curiosos e amantes do flamenco que desejavam aprender a dança. Ao perceber que a região tinha essa necessidade, a artista começou a reunir alunos interessados para repassar seu conhecimento em aulas de baile e ritmo. A novidade é a abertura de uma turma de nível iniciante em Cabo Frio e um ponto forte das aulas será a possibilidade de serem ministradas periodicamente com música ao vivo, da forma mais tradicional e genuína do flamenco. Thatá Flores canta acompanhada de músicos especializados, vindos da capital.

Informações: Thatá Flores – thatafloresoficial@gmail.com

Centro de Arte Flamenca está em festa pelos 20 anos em Campinas

Ações ao longo do ano comemoram o aniversário junto aos alunos, à comunidade espanhola e à população de toda a região

O Centro de Arte Flamenca (CAF) comemora 20 anos e desde o início de 2017 está celebrando o aniversário com atividades diversas. Depois das aulas gratuitas ministradas para interessados de todos os níveis da dança, do compromisso com o curso de bata de cola no qual mulheres aprendem os macetes de bailar com um vestido ou saia de cauda de dez metros e 12 quilos e da promoção da Feria de Abril que recheou um final de semana com cursos e apresentações numa réplica da tradicional e centenária festa que ocorre nesta época em Sevilha, na Espanha, o CAF prepara um documentário para contar a trajetória da escola.

IMG_0664v1

Entre as ações de comemoração junto aos alunos, à comunidade espanhola e à população de Campinas e região está a produção de um vídeo que reunirá fotos, gravações, depoimentos de alunos e ex-alunos e de bailaores consagrados. O material já está em execução. “Estão chegando lembranças incríveis, de pessoas adoráveis que passaram pelo CAF. Captar esse acervo faz a gente voltar no tempo, rememorar acontecimentos importantes e faz chorar”, adianta Lu Garcia, diretora e professora do CAF.

Ao longo de duas décadas, várias referências mundiais do flamenco participaram de eventos organizados pelo CAF, a exemplo de Carmen La Talegona, Pedro Córdoba, La China, La Truco, Alfonso Llosa, Concha Jareño e Talegón de Córdoba. Iniciativas que promovem a arte espanhola na região de Campinas são sempre desenvolvidas e estimuladas por Lu Garcia, como a já citada Feria de Abril, Semana Espanhola, bazares, sessões de cinema, tablaos, workshops etc.

O forte da diretora e professora do CAF, Lu Garcia, é explorar a autenticidade da cultura espanhola. A bailaora morou no país ibérico e volta para lá periodicamente para estreitar relacionamentos, buscar novidades e profissionais renomados para ministrar cursos e workshops em Campinas. Lu Garcia é, inclusive, a pioneira em Campinas e região a ministrar o flamenco numa escola exclusiva dessa arte.

Mais informações: contato@centrodearteflamenca.comwww.centrodearteflamenca.com. Fones: (19) 3243-6019/ 99774-5900