De onde vem o tirititrán?

2 Pilar Lopez 1Na minha classe de flamenco, eu já tinha escutado da maestra Silvia Canarim que havia sido o cantaor gaditano Ignacio Espeleta, o criador do famoso tirititrán das alegrías. Mas agora encontrei um vídeo do cantaor Chano Lobato, onde ele conta  como foi a noite em que tudo aconteceu, e achei interessante compartilhar.

O ano era 1934, teatro Villamarta, e lá estavam Pilar López, Rafael Ortega, La Macarrona, La Malena, Niño de Gloria para se apresentarem em um espetáculo chamado Las Calles de Cádiz.

Chano Lobato conta que Ignacio Espeleta (1871 – 1938) tinha que cantar para as bailaoras do corpo de baile que dançariam por Alegrías. Eram Juana Vargas ‘La Macarrona’ e Magdalena Loreto ‘La Malena’. Quando começou a música, ele não se lembrava da letra pois estava “bien puesto”, ou em bom português, bêbado. Assim, improvisou qualquer coisa com o que veio à cabeça na hora e as bailaoras, que tinham que dançar para receber seu cachê, seguiram bailando.

Dizem que desde então essa glossolalia se converteu em introdução, salida ou temple de voz para este palo flamenco. Por curiosidade, foram Pericón de Cádiz e Manolo Vargas que popularizaram e preservaram a tradição de cantar o tirititrán no início das alegrias, que continua até os dias de hoje.

Confere aqui o cantaor Chano Lobato contando a história do tirititrán e cantando por Alegrías ao final, por supuesto. Olé!

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Ay Mi Amor: a Sogra contra-ataca

AY MI AMOR! (a sogra contra-ataca!) é uma comédia-musical inspirada em canções latinas para contar a história de La Negra y El Blanco Nieves, um excêntrico casal de artistas espanhóis mundialmente famosos.

Em comemoração aos 2 anos nos palcos o espetáculo foi todo renovado e re-estreia cheio de novidades, com novo repertório, novos textos e uma super participação: a sogra de La Negra. Em tom intimista, através de voz, violão, percussão, castanholas, baile e performances, Daniel Debiagi e Ana Medeiros dão vida aos personagens com repertório (todo em espanhol) de diferentes épocas, desde boleros dos Anos 50 até sucessos atuais.

A relação de amor, paixão, ciúmes e desavenças entre o casal é ilustrada musicalmente com bom humor e atuações que beiram o improviso numa atmosfera de cumplicidade com o público.

ay mi amor
Foto: Fábio Zambon

O espetáculo re-estreia cheio de novidades, completamente renovado, no Teatro do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa. Nesta noite especial, com a participação da cantora Sonia Bentto no papel de Yolanda Regina Nieves, sogra de La Negra, para um verdadeiro duelo de titãs.

INGRESSOS ANTECIPADOS
PRIMEIRO LOTE: R$30,00
Pontos de venda:
Loja Sirius Artigos Esotéricos – Rua da República, 304
Loja da Boa Vontade (junto ao teatro)

Na hora, no local: R$50,00 (INTEIRO)
Meia-entrada para estudantes, idosos e classe artística.

Venda online: https://www.sympla.com.br/ay-mi-amor__535885

Foto: Fábio Zambom
Arte: Cats Mídia

Tem flamenco no 14º Prêmio Braskem em Cena

O Prêmio Braskem em Cena tornou-se uma das principais e mais reconhecidas premiações da cidade, na área das artes cênicas, prestígio adquirido no decorrer de mais de uma década fomentando a cena artística da cidade de Porto Alegre. No 26º Porto Alegre em Cena, foram inscritos 72 espetáculos com as mais diversas linguagens a fim de integrar a programação local da 14ª edição do Prêmio Braskem em Cena.

E este ano, tem espetáculo de flamenco contemporâneo selecionado para o prêmio: Ainda Que Seja Noite, da Cia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade, que teve sua estreia em 2018, voltará aos palcos em setembro. O espetáculo é inspirado no universo poético do cantaor Enrique Morente, artista espanhol que revolucionou o cante flamenco.

Os 10 espetáculos selecionados de 2019 são:
A fome – Cia Espaço em Branco
Ainda que seja noite – Cia Silvia Canarim – Flamenco e contemporaneidade
Arena Selvagem – Grupo Cerco
Das amarras dela – Circo Hybrido
ELAS – Nós Cia de Teatro
Macbeth e o Reino Sombrio: Shakespeare para Crianças – Coletivo Órbita
Meierhold – Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
O Feio – Ato Cia Cênica
Os Palhaços de Tchékhov – Circo Girassol
Ranhuras – Coletivo Moebius

O conselho curador do Prêmio Braskem em Cena 2019 é composto por Airton Tomazoni, Anette Lubisco, Eduardo Custódio, Fernando Zugno, Kaya Rodrigues, Jane Schoninger e Jessé Oliveira.

Mais informações sobre o evento no site do Porto Alegre em Cena.
Foto de capa: Cristina Lima 2018

 

De Sur a Sur: as Idas e Vindas entre Espanha e América

O grupo Perla Flamenca retorna ao palco do Teatro Regina Vogue no dia 9 de junho às 20 horas. Nesta terceira temporada, o espetáculo “De Sur a Sur” tem como tema as “Idas e Voltas”, destacando as incontáveis trocas culturais entre Espanha e América Latina.

O principal objetivo do trabalho é mostrar que a arte é uma ponte entre diferentes povos, favorecendo o respeito pelo “outro” e o seu reconhecimento. “O caldeirão cultural chamado Flamenco tem sido muito enriquecido pela cultura latino-americana desde a época das grandes navegações até os dias de hoje”, lembra Miri Galeano, bailaora e diretora do grupo.

 A proposta é fazer o público presente saborear o tempero que a cultura latina levou ao Flamenco, tendo como um dos pontos altos da apresentação o diálogo em cena entre artistas da Espanha, do Paraguai, do Brasil e da Argentina.

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Mirian Galeano “La Perlita” e Gabriel Matías. Foto: Michelle Serena

Além dos alunos do grupo, sobem ao palco Miri Galeano “La Perlita” (bailaora e diretora), Jony Gonçalves (violão flamenco e diretor musical), Gustavo Rosa (percussão), Ale Kalaf e Priscila Grassi (bailaoras convidadas) e Eugenio Romero e David Garcia (voz).

A primeira temporada do espetáculo “De Sur a Sur” teve como título “Inspirados em la raiz bailamos nuestro sentir” e foi uma afirmação do Flamenco local, valorizando as raízes desta arte. Na segunda edição, intitulada “Frutos de Nuestra Tierra”, o objetivo foi prestigiar e homenagear os artistas brasileiros que se destacam na Espanha. A terceira edição, que recebe o nome “Idas e Voltas”, valoriza as trocas culturais com a América Latina que enriqueceram a cultura flamenca.

 

SERVIÇO
“DE SUR A SUR – Idas e Voltas”
Quando: 9 de junho às 20h
Onde: Teatro Regina Vogue – Av. Sete de Setembro, 2775
Quanto: R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)
Ingressos: Espaço Up Live (cel. 99571-7379), Teatro Regina Vogue (tel. 2101-8292 e 2101-8293), Disk Ingresso (tel. 3315-0808)
Mais informações pelos telefones: (41)95717379 e (41)95202051

Foto de capa: Michelle Serena

foto Gelson Bampi
Foto: Gelson Bampi

 Sobre o Grupo Perla Flamenca:

Após 13 anos de muita dedicação ao Flamenco no Brasil e no exterior e com o objetivo de sempre difundir esta arte, Miri Galeano  “La Perlita” e Jony Gonçalves criaram o grupo “Perla Flamenca Arte em Movimento”. O objetivo do grupo é compartilhar e transmitir a arte a pessoas de qualquer idade, gênero e nacionalidade. Utilizando a linguagem universal da música, o grupo desenvolve diversas atividades, tais como aulas de dança, aulas de violão flamenco, encontros sobre teoria e história do Flamenco, bem como apresentações e workshops com artistas nacionais e estrangeiros. Diretores do Grupo:
Miri Galeano “Perlita” Coreógrafa e Bailaora;
Jony Gonçalves Músico – Violão Flamenco.

Fanpage do grupo: https://www.facebook.com/perlaflamencaarteemmovimento/
Site do grupo: www.perlaflamenca.com.br

25 ANOS DE FLAMENCO NO THEATRO SÃO PEDRO

Espetáculo em comemoração aos 25 anos de carreira da bailarina, coreógrafa e professora Silvia Canarim. A artista leva ao palco do Theatro São Pedro alguns dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória e a parceria com artistas como Felipe Azevedo, Vanessa Longoni, Simone Rasslan, Giovani Capeletti, Decio Antunes, Richard Edmunds, além do cantaor espanhol Alejandro Heredia.

A obra está dividida em dois momentos: Fuente e Caudal. O primeiro, Fuente, apresenta coreografias ligadas à tradição da dança e da cultura flamenca como Seguiriyas, Anda Jaleo, Farruca, Tientos, Jaleos e Tangos. No segundo ato, Caudal, traz extratos de obras onde a artista ampliou conceitos e trabalhou elementos da dança contemporânea como A Casa (2006), Lorquianas (2001), Mosaico – As Múltiplas Faces do Flamenco (2002), Como montar um Baile (2012), Ainda que Seja Noite (2018), entre outros.

No elenco, além de Silvia, participam os bailarinos Iandra Cattani, Maria Albers, Michelle Richter, Luciano Orrigo, Paula Finn que já integraram a Companhia Silvia Canarim – Flamenco e Contemporaneidade e, também, Alessandra Santos, Carolina Giordani, Cristina Lima, Daniela Barzotti, Débora Karpowicz, Larissa Lazzari, Gisele Germany, Valeria Calvi e grande elenco.

 

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Espetáculo Ainda Que Seja Noite 2018. Foto: Anderson Astor

Entre as participações especiais, podemos destacar ainda a presença do percussionista Cristiano Rodrigues, do flautista Franco Salvadoretti e da professora de cultura e língua espanhola Denise Baptista, idealizadora do espetáculo Lorquianas. A direção é assinada por Silvia Canarim e Iandra Cattani. Iluminação Fabrício Simões e Fotografia de Cláudio Etges.

Ficha Técnica:
Direção geral: Silvia Canarim
Co-direção: Iandra Cattani
Bailarinos: Iandra Cattani, Luciano Orrigo, Maria Albers, Michelle Richter e Paula Finn.
Guitarra Flamenca: Giovani Capeletti
Cante: Alejandro Heredia (Espanha)
Percussão: Gustavo Rosa
Participações especiais: Felipe Azevedo, Vanessa Longoni, Simone Rasslan, Denise Batista, Cristiano Rodrigues, Franco Salvadoretti, Gabriela Vilanova.
Produção: Lúcia Czamanski e Michelle Richter
Arte gráfica: Michelle Richter
Apoio: Centro Espanhol de Porto Alegre, Flamenco Por Aí e Ristorante Fontana.

Foto de capa do post: Cristina Lima

INGRESSOS À VENDA:
On-line: https://vendas.teatrosaopedro.com.br/silvia-canarim-25-anos-de-flamenco-12

Na bilheteria do Theatro:
De segunda a sexta, das 13h às 18h30. Sábados e domingos, das 15h até o horário de início do espetáculo.

FORMAS DE PAGAMENTO:
Dinheiro, Visa (débito), Mastercard (débito) e Banricompras (débito).

DESCONTOS:
– Associados da AATSP – 50% (ingressos limitados)
– Idosos – 50% (mediante comprovante, conforme Lei Federal 10.741/2003 – Estatuto do Idoso)
– Estudantes, Pessoas com deficiência, Jovens de baixa renda
50%, nos termos da Lei Federal 12.933.
– Doadores de sangue – 50%, mediante apresentação da carteira de doador emitida pelo Hemocentro ou Bancos de Sangue do Estado do RS, nos termos da Lei Estadual 13.891.

OU DIRETO NO SITE:
http://www.teatrosaopedro.com.br/eventos/silvia-canarim/

Platéia e cadeiras extras – R$ 80
Camarotes centrais – R$ 60
Camarotes laterais – R$ 40
Galerias – R$ 20

Cartaz 25 anos ok impressão

Alejandro Heredia em Porto Alegre

Pela segunda vez no país, o cantaor e compositor madrileño Alejandro Heredia estará em Porto Alegre para cursos e apresentações na cidade.

Alejandro começou na guitarra flamenca com maestros como José María Molero Masters (guitarrista dos Sordera de Jerez) e Josep Salvador (guitarrista de artistas como Alejandro Sanz, Niña Pastori e Pata Negra).

Como cantaor, começou sua carreira com o guitarrista de Cádiz, David Machuca, onde se apresentaram no Festival de Músicos de Calle do Círculo de Belas Artes de Madri. Cantou com grupos de flamenco como “Martinete Flamenco”, “Ying Yang” e “Concarma”.
Como compositor e solista de fusão no grupo “Flamenco en el Vagón”, mescla suas canções entre Flamenco, Rock, Jazz ou Salsa. Trabalha com músicos de Flamenco Fusión da Espanha, como Juan Carlos Aracil e Víctor Iniesta (ambos integrantes do grupo “El Bicho”), e com o baixista Chuemo (membro do grupo de Tomasito).

Alejandro Heredia e Giovani Capeletti - Foto Adriana Marchiori
Alejandro Heredia e Giovani Capeletti no Usina Tablao 2016. Foto: Adriana Marchiori

Alejandro também atuou em diferentes países, como França, Bulgária ou Brasil. Neste último país ele se apresentou com a companhia da maestra Silvia Canarim no espetáculo “Usina Tablao” (Prêmio Açorianos de Dança – Destaque Flamenco 2016, da Prefeitura de Porto Alegre). Ele também se apresentou com o corpo de dança do Tablado Andaluz da cidade, com figuras como Giovanni Capeletti (guitarrista) e Pedro Fernández (bailaor).
Atualmente reside no Equador, onde já trabalhou com o Conservatório Nacional do Equador, o Conjunto de Guitarras de Quito e a companhia do bailarino equatoriano Alejandro Pino (no espetáculo “Sentío”).
Agora prepara sua participação no 1º Festival Internacional de Flamenco de Quito (Equador), onde fará várias apresentações e um workshop de cante flamenco.

SERVIÇO:

03 e 04 de maio
Show flamenco com cante de Alejandro Heredia.
Local: Tablado Andaluz – Av. Venâncio Aires, 556

04 e 05 de maio
Workshop Internacional de Cante Flamenco com Alejandro Heredia
Local: Centro Espanhol de Porto Alegre – Travessa Sul, 102
Inscrições abertas.

12 de maio
Espetáculo ‘Silvia Canarim 25 Anos de Flamenco’
Local: Theatro São Pedro – Praça da Matriz, s/n
Ingressos à venda no site ou na bilheteria do teatro.

Lucía La Piñona na Feira Flamenca em abril

Mais uma vez, a Feira Flamenca Brasil surpreende os estudantes, profissionais e aficionados, trazendo ao Brasil, uma estrela da nova geração do flamenco na Espanha, Lucía Álvarez ‘La Piñona’ e o maestro ‘El Trini de La Isla’, que estarão em São Paulo nos dias 26 de abril a 01 de maio, ministrando cursos para vários níveis de conhecimento.

Em 2019, a Feira Flamenca, organizada pela Kabal Produções, comemora seus 10 anos de evento, com a 11a Edição, novamente no espaço do Estúdio Anacã, no bairro do Morumbi, com espaço para gastronomia e expositores de moda flamenca e acessórios, sapatos, castanholas, cajones, etc.

‘La Piñona’ iniciou seus estudos muito cedo, obtendo em 2011 o prestigiado prêmio ‘Desplante’ no Festival Internacional de Cante de las Minas de la Unión. Destaque no espetáculo ‘Reversível’ de Manuel Liñán, ela é hoje uma das bailaoras mais promissoras da sua geração. Concentra todas as virtuosidades: a elegância natural, movimentos refinados e poéticos, um porte elegante e um sapateado que declina nos tons mais minuciosos os ritmos, os sons e as intenções.

Lucia Pinona
Lucía la Piñona, Foto: Fabrizio Soldani

Francisco Trinidad Ángel, cantaor de flamenco, mais conhecido internacionalmente na história do cante flamenco, com o nome artístico de ‘El Trini de La Isla’, nasceu em San Fernando (Cádiz, Espanha) em 1972. Desde muito cedo, é um aficionado do flamenco, o que o levou a estudar com o maestro Manuel Soto “Sordera de Jerez”. Aos 22 anos, começa a dedicar-se profissionalmente ao cante flamenco, com recitais em diferentes festivais e peñas flamencas da região da Andalucía, sul da Espanha. Neste período, recebe o primeiro prêmio “Tacita de Plata” de Cádiz e o prêmio “Camarón de La Isla” de San Fernando.

Trabalhou com artistas de renome como Mercedes Ruíz, Andrés Peña, Rosario Toledo, Alejandro Granados, Alfonso Losa, Rafael de Carmen, Pastora Galván, etc. Atualmente segue trabalhando em diferentes tablaos, festivais e teatros para diferentes companhias de baile flamenco e importantes figuras da dança flamenca.

El Trini foto MArtin Guerrero
El Trini de La Isla. Foto: Martín Guerrero

KABAL
A Kabal Produções Artísticas foi fundada em 2009 por Ana Paula Campoy, Carolina da Mata, Deborah Nefussi e Simone Gambirazio (Simone fez parte da Kabal até 2014). Entre desejo de mudanças e sonhos para aprimorar o cenário do Flamenco no Brasil, surgiu a necessidade de produzir um encontro. O objetivo principal era promover o estudo e a documentação do Flamenco em São Paulo e unir profissionais e amadores em diversas ações.

O local escolhido para a primeira Feira Flamenca foi o Clube Paineiras do Morumby, onde foram realizadas as cinco primeiras edições. De 2014 a 2016 as edições foram relizadas no Milena Malzoni Dance Center e desde 2017 no Estudio Anacã Morumbi Town. A palavra-chave do evento foi definida como UNIÃO. A produção, em alusão ao termo Cabal (um palo matriz do Flamenco) e Kabbalah (estudo de como receber plenitude em nossas vidas), foi batizada de KABAL. As identidades visuais tanto da Kabal quanto da Feira Flamenca (a famosa mandala) ficaram a cargo do artista Sardinha 17. A identidade das edições comemorativas 10a edição e 10 anos são da artista Ana Muriel.

O compartilhamento do conhecimento e um dos objetivos mais importantes da Feira Flamenca. O Flamenco se beneficia quando o conhecimento é difundido, transferido,compartilhado e alavancado, ou seja, quando existem espaços de comunicação, encontros,aulas, que facilitem a troca de informações e experiências entre profissionais, amadores e aficionados. Através de uma interação entre os flamencos brasileiros e ibero americanos, baseada no diálogo e no debate, pode-se iniciar a construção de um pensamento que sistematize informações em busca de soluções para seus problemas, que confirme e aceite sua identidade cultural, diferenciada da espanhola. Quando um conjunto de pessoas observa a sua realidade e discute sobre ela, a arte se torna mais ampla e criativa.

Confira toda a programação e ingressos no site da Feira Flamenca.

Foto de capa: Paco Lobato

Compañía Antonio Gades volta ao Brasil

Considerada ainda hoje o grande expoente da dança espanhola e um dos principais representantes da dança flamenca no mundo, a Compañia Antonio Gades está de volta ao Brasil para apresentações no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte, de 30/03 a 13/04.

Antonio Gades popularizou a dança flamenca de tal forma que não é possível pensá-la sem levar em conta seu papel na busca pelo essencial do gênero. O bailarino e coreógrafo faleceu em 2004, deixando para o mundo uma herança de criatividade e beleza.

Sua paixão pela dança e pela música flamenca gerou uma obra de enorme repercussão no cinema, teatro e televisão. E sua companhia, sob a direção artística de Stella Arauzo, continua a apresentar seus trabalhos com a qualidade artística pela qual sempre primou.

Duas obras importantes da companhia foram trazidas ao Brasil para esta temporada: Carmen e Fuenteovejuna.


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CARMEN

Inspirado livremente na obra do romancista francês Prosper Merimée, o balé Carmen foi a primeira obra cênica da mítica colaboração de Antonio Gades com o cineasta Carlos Saura. A dupla partiu da intensa música criada por Bizet para sua ópera homônima e a contrapôs à sensualidade, paixão, amor e rivalidade reverberados no mais autêntico flamenco.

Os artistas da Compañia Antonio Gades vivem e respiram o balé, revelando as múltiplas facetas de um personagem lutador, apaixonado e amante da liberdade. A magistral transição entre as cenas traz a assinatura cinematográfica de Saura. A inconfundível clareza na exposição do drama reafirma a característica marcante das obras de Gades. Os acontecimentos se sucedem de tal forma, que ao final o espectador fica em dúvida, sem saber ao certo se assistiu ao ensaio de uma companhia de flamenco ou a uma autêntica tragédia.

Vinte e oito anos depois de sua criação, a Carmen de Antonio Gades e Carlos Saura continua impactando os espectadores de todo o mundo. Obra revolucionária em seu tempo, acabou por converter-se em um clássico da dança espanhola.

FUENTEOVEJUNA

Versão teatral criada por Gades sobre a obra homônima do dramaturgo espanhol Lope de Vega. O núcleo da história gira em torno da luta solidária de um povo contra a tirania de um cacique, símbolo do despotismo e dos privilégios das classes dominantes. Segundo José Manuel Caballero Bonald, co-roteirista da montagem, “o desdobramento temático e o sentido geral de Fuenteovejuna coincidiam expressamente com a linguagem artística e a postura cívica do próprio Gades”. A luz dos quadros de Velásquez, o teatro do Século de Ouro, a imensa riqueza da dança popular espanhola, são todos ferramentas que Gades utiliza com sua característica maestria para contar, sem qualquer palavra, o futuro do autêntico protagonista da obra: o povo de Fuenteovejuna. O espectador se sente retratado em uma obra que irá emocionar todo tipo de público. Magistral mescla do erudito com o popular, Gades manifesta neste grande espetáculo, aquilo que já se converteu em seu testamento básico: sua confiança na riqueza e poder expressivo da dança espanhola em toda sua extensão: o balé folclórico, a dança estilizada e o flamenco.

ANTONIO GADES

O bailarino e coreógrafo Antonio Gades (1936-2004) é uma figura das mais importantes na dança e no teatro europeu do século 20. A obra de Gades buscava restaurar a essência de cada passo, definido pela tradição, pelo folclore, pelo povo. Seu trabalho pode ser visto como uma tentativa de estudar a cultura clássica e popular espanhola em profundidade, para glorificá-la, honrando suas raízes e suas fontes.

Ele estava sempre ciente de que seu trabalho representava a herança cultural de seu povo e que ele deveria agir com cuidado para respeitar sua integridade, a fim de não a alterar. Sua maior conquista foi transformar o flamenco em uma arte dramática, desconsiderando a bravura chamativa e gratuita que, às vezes, ameaça invadir a cena.

Seu encontro, em 1981, com o cineasta Carlos Saura seria decisivo na promoção da coreografia de Gades e, juntos, trouxeram o balé Bodas de Sangre (1974) para a telona. O filme teve enorme sucesso em todo o mundo. Seu próximo projeto foi o filme Carmen, que foi seguido por um balé de mesmo nome, e então El Amor Brujo e o balé Fuego fecharam essa frutífera parceria que popularizou o flamenco em todo o mundo.

Depois veio Fuenteovejuna (1994), ainda considerado o ponto alto da Dança Espanhola hoje e, infelizmente, o último trabalho de Gades. Ele morreu em 2004. Apesar de deixar uma parte de sua obra imortalizada no cinema, a Fundação Antonio Gades trabalha para passar o legado estilístico e a coreografia de Gades para uma nova geração de bailarinos, estudantes e o público em geral.

Caso contrário, seu trabalho teria desaparecido. Junto com esses esforços, a Fundação reuniu um importante arquivo documental. Este arquivo reflete uma época em que a dança assumiu importância monumental na visão que o mundo teve da Espanha depois que o país se tornou uma democracia.

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Carmen

COMPAÑÍA ANTONIO GADES

Após a morte do coreógrafo, a Fundação Antonio Gades mantém e promove seu legado. Dirigida por sua viúva Eugenia Eiriz e sob a presidência de María Esteve (atriz e filha de Gades), a Fundação patrocina a Compañía de Dança Antonio Gades, que continua sendo uma das grandes referências da dança espanhola e do flamenco.

A direção artística da companhia leva a assinatura de Stella Arauzo, que começou a dançar com Gades aos 17 anos e, assim como vários bailarinos, faz parte do elenco original e que agora ajuda os novos membros a internalizar a filosofia, a estética e a ética de Gades.

Nos últimos 15 anos, a companhia se apresentou nos mais renomados teatros, incluindo o Teatro Real de Madri, o Teatro da Zarzuela, o Palau de les Arts em Valência, o Liceu Opera Barcelona e o Centro Niemeyer na Espanha, Sadler’s Wells em Londres, City Centro em Nova York, Herodes Atticus em Atenas, Arena di Verona na Itália, Gran Teatro Alicia Alonso em Havana, Bunkamura Orchard Hall em Tóquio e Müpá Budapeste.

A participação da companhia na ópera Ainadamar, de Osvaldo Golijov (1960), com coreografia de Stella Arauzo, estreou na Espanha com ótimas críticas. Em colaboração com o Teatro Real, a Compañía de Dança Antonio Gades produziu a filmagem e transmissão da trilogia de Gades (Carmen, Blood Wedding e Fuenteovejuna) em cinemas do mundo todo.

A Compañía foi convidada a atuar com Plácido Domingo, primeiro em homenagem ao Estádio Santiago Bernabéu (2016), bem como nas galas dedicadas à Zarzuela e Arte Espanhola. E ainda na Arena di Verona, Itália (2017), Royal Opera House Muscat, Omã (2018) e no próximo verão em Orange, França (2019).

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Fotos e foto de capa: Javier Del Real

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